terça-feira, 16 de junho de 2009

Àgata voltava da casa da mãe, mas um final de semana misto de aconchego, melancolia e umas gotas de raiva.
Estava no banco da frente do ônibus quando eles entraram. Aqueles humanos, sujos, mal cuidados, doentes. Procuraram assentos vazios como uma fera procura uma presa. Nos olhos arregalados ela viu uma possível disposição de até matar por um assento. Por sorte haviam lugares suficientes. Uma pessoa mais velha, provavelmente a responsável por eles, os tratava como crianças e gritava, pedindo silêncio;e então, silêncio.
Àgata sentiu medo e ficou aliviada por nao estar sentada ao lado deles.
Dez minutos depois, desceram.
Aqueles serem animalizados agora desciam educadamente do ônibus, como se cada passo fosse um carinho nas escadas imundas.
Desceram todos.
Quando o ônibus partiu, ela olhou pra trás e percebeu que um deles a sorria. Com aqueles dentes imundos, quase pretos; acenava e sorria.
Ela sorriu de volta, e, paralizada, não acenou.
Foi um sorriso tão sincero que Ágata nunca mais o esqueceu.
Filosofou, sozinha, sobre os instintos humanos o resto inteiro da viagem.

2 pessoas comentaram.:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Sei... Ah, desenrola! Ágata foi você. Ou você foi Ágata. Filosofando...
Brincadeiras a parte, gostei do conto, amiga! Quero ler mais.

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